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23.10.15

O Posto de Comando do MFA já é monumento nacional


© 2014 Jorge F
Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas
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Foi publicado hoje, em Diário da República, o decreto que classifica o Posto de Comando do MFA como monumento nacional.

Sobre o monumento, ver este artigo do blogue. Ficha do monumento do sítio da Direção-Geral do Património Cultural aqui.

No local funciona um núcleo museológico, cuja visita se recomenda. Embora o horário não seja famoso: pode ser visitado (visitas guiadas) apenas à 4.ª feira entre as 10h e as 12h e à 6.ª feira entre as 14:30h e as 16:30h. Como o monumento está situado no interior de um quartel militar, a visita tem de ser previamente marcada, junto da Câmara Municipal de Odivelas (tel. 219 320 800). Recebe visitas escolares ao longo de todo o ano. 
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12.5.14

O país em que a classificação de património cultural é decidida pelo ministério das finanças

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A aberração de país que esta gente que nos governa está a criar é um país em que é o Ministério das Finanças que tem a última palavra na classificação do nosso património cultural!

O processo de (ampliação da) classificação da Quinta de Recreio do Marquês de Pombal como monumento nacional estava bem encaminhado. Foi iniciado na década passada, e ao longo deste período de tempo o mérito da classificação deste património de relevância nacional nunca esteve em causa. A formalização da classificação estava finalmente prevista para junho do ano passado. Em maio, o governo aprovou o respetivo projeto de diploma, que foi levado a Conselho de Ministros, para aprovação final, em 27 de Junho. Segundo o que noticiou hoje o Público, um parecer do ministério das finanças, emitido na véspera da aprovação (!), levou a que o Governo, à última da hora, fizesse abortar o processo (ao que parece, estará agora a ser iniciado um processo de classificação de parte do imóvel como “conjunto de interesse público”, com um grau de proteção muito menor e insuficiente para salvaguardar este património). 

A Quinta de Recreio do Marquês de Pombal (a chamada “quinta de cima”) constitui «momento alto da história e da técnica de construção de jardins em Portugal», «com algumas soluções e elementos únicos» (Rodrigo Dias, arquiteto paisagista que estudou esta quinta), e inclui, nomeadamente, um notável sistema hidráulico projetado por Carlos Mardel, com uma dupla e sucessiva função – de recreio (cascatas e pequenos lagos / tanques) e depois agrícola (aproveitamento da mesma água) – e com uma ligação direta à cozinha do Palácio do Marquês de Pombal (situado na chamada “quinta de baixo”, classificada há muitos anos como monumento nacional).

Este magnífico exemplar de jardim / quinta de recreio do século XVIII, onde ainda hoje se produz um vinho único e de excecional qualidade (Carcavelos), sobreviveu quase milagrosamente ao avanço selvagem do betão. A sua classificação como monumento nacional constituiria a garantia da sua preservação. O aberrante “veto” do ministério das finanças, alegadamente fundado no interesse em rentabilizar a propriedade, é muito preocupante.            

Pode discutir-se qual a melhor forma de gerir este esplêndido espaço, que, diga-se, se situa em grande parte em leito de cheia (sendo de notar que há muitos anos que a Câmara Municipal de Oeiras tem vindo a tentar, em vão, que o Estado lhe ceda a quinta, ou parte dela, para que possa ser recuperada para ser usufruída pela população; Assunção Cristas foi a última ministra a visitar o local). O certo é que a classificação do imóvel como monumento nacional em nada conflitua com a sua “rentabilização” ou mesmo com a eventual cedência da sua exploração a privados, para uso compatível com a classificação (diga-se que uma parte da quinta está presentemente a ser explorada por privados, com o apoio da Câmara Municipal de Oeiras); o país está cheio de exemplos de imóveis classificados como monumentos nacionais cujos espaços estão a ser rentabilizados mediante exploração por privados. Em suma, mesmo que, por absurdo, a rentabilização pudesse constituir o critério decisivo da classificação de monumentos nacionais (!), essa seria uma falsa questão, e, portanto, aquilo que a recusa da classificação como monumento nacional verdadeiramente significa é que está em risco a salvaguarda futura deste património.

Das câmaras municipais de Cascais e de Oeiras (em cujos territórios se situam os bens que iam ser classificados) espera-se, no mínimo, uma dura reação. E que atuem no sentido de se evitar o pior.

(P.S. - O blogue Pombal do Marquês tem prevista a publicação de uma série de artigos sobre a Quinta do Marquês de Pombal, cujo material tem vindo a ser lentamente reunido nos últimos dois anos. Espera-se que entretanto não se anuncie mais um crime contra o património: esta notícia não augura nada de bom...)   
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23.4.14

Tiros no Carmo

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© 2013 Jorge F
Livro baleado no Quartel do Carmo (Comando-Geral da GNR), Lisboa
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Cerca das 5 da manhã do dia 25 de Abril de 1974, pouco mais de meia hora depois de difundido pela rádio o primeiro comunicado do MFA, o diretor da PIDE / DGS - a polícia política do regime - telefonou ao chefe do Governo, alertando-o de que a revolução estava «na rua» e aconselhando-o a dirigir-se para o Quartel do Carmo, pois a GNR estava «fixe». O ditador chegou ao Carmo pelas cinco e meia da madrugada e instalou-se numa sala do Comando-Geral da GNR, que se mantinha fiel ao regime. Alguns ministros juntaram-se-lhe mais tarde. Pouco depois do meio-dia, as forças revoltosas comandadas por Salgueiro Maia cercaram o quartel. Cerca das três da tarde, Salgueiro Maia dirigiu um ultimato de 10 minutos às forças sitiadas, no sentido da sua rendição. Findos os 1o minutos, ordenou que se fizesse fogo sobre o quartel (depois de feito um pré-aviso). Um cadeirão e alguns livros foram perfurados pelas balas das rajadas de metralhadora G3 então disparadas. Essas marcas históricas foram preservadas e 40 anos depois ainda se encontram no interior do Quartel do Carmo.     
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(Excecionalmente, o Quartel do Carmo estará aberto ao público a partir de hoje, até 11 de Maio, podendo ser visitado todos os dias entre as 10h e as 18h)

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22.4.14

O posto de comando do MFA

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© 2014 Jorge F
Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas
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A pequena sala a partir da qual foram comandadas todas as operações da revolução de 25 de Abril de 1974, num pavilhão prefabricado situado em local recatado do Regimento de Engenharia n.º 1, na Pontinha (Odivelas). A sala está hoje, Abril de 2014, como estava no dia da revolução, incluindo mobiliário, telefones, rádio, mapas e até as grandes mantas a tapar as janelas, para que ninguém do exterior se apercebesse do que ali se estava a passar (nem o comandante do quartel estava a par dos acontecimentos). Sete figuras de cera retratam os sete oficiais que naquele espaço claustrofóbico comandaram as operações do golpe de estado que libertou Portugal de uma ditadura de 48 anos. Foi também para esta sala que foi levado o ditador deposto, depois da sua detenção no Carmo. E foi nesta sala que, no final do dia 25, se reuniu a Junta de Salvação Nacional, para aprovar a Proclamação da Junta e designar o Presidente da República. Os cinco oficiais sobreviventes, dos sete que comandaram as operações da revolução, continuam a visitar regularmente este local.
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(O núcleo museológico do Posto de Comando do MFA pode ser visitado à 4.ª feira (das 10h às 12h) e à 6.ª feira (das 14h30 às 16:30h), mediante marcação prévia junto da Câmara Municipal de Odivelas (tel. 219 320 800). Recebe visitas escolares ao longo de todo o ano.)
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20.2.14

Reabilitação urbana: poupar 30% a 40% à custa do quê?

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O Governo anunciou hoje a aprovação de um regime “excecional e transitório” em matéria de reabilitação urbana, que se traduz numa flexibilização de regras, que, diz-se, permitirá poupar entre 30% a 40% no custo total das obras de reabilitação.

De onde vem tão grande poupança? No meio da propaganda do costume, em que a informação relevante é reduzida ao mínimo, lá conseguimos perceber que a poupança de custos para os promotores imobiliários é conseguida à custa, por exemplo, do aligeiramento dos requisitos acústicos da construção (o isolamento acústico da construção habitacional em Portugal já é uma miséria, ainda se vai “flexibilizar” as normas técnicas de construção?!), da eficiência energética (incompreensível!) e de normas técnicas como as relativas à altura máxima de degraus, à largura de corredores ou à obrigatoriedade de elevadores (os idosos e os deficientes que se lixem?). Só isto já nos permite temer o pior neste regime.

O regime “excecional” é para vigorar “só” durante os próximos 7 anos. O facto de ser "excecional" e "transitório" permite suspeitar de que, de facto, estarão em causa regras de construção de que não se deveria abrir mão.
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20.1.14

Porto de Mós

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As ruínas do castelo de Porto de Mós (“Porto de Moz”), no primeiro quartel do século XX.

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12.12.13

Campanha Salvar o Tua / Movimento Advogados pelo Tua

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Foi hoje lançada, em Lisboa, a campanha “Salvar o Tua”, que tem como objetivo tentar salvar o Vale do Tua da construção da polémica barragem de Foz-Tua. No evento foi também apresentado o movimento “Advogados pelo Tua”, integrado por vários advogados conceituados, como Augusto Lopes Cardoso (Bastonário da Ordem dos Advogados), Manuel Almeida Ribeiro, Agostinho Pereira de Miranda, José Lebre de Freitas e Fernando Fragoso Marques. Os advogados representam gratuitamente a Plataforma Salvar o Tua em ações judiciais destinadas a travar a construção da barragem e são subscritores da declaração que se transcreve de seguida:
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“ADVOGADOS PELO TUA”

DECLARAÇÃO

Foi iniciada a construção da barragem Foz Tua. Está assim iminente a destruição do Vale do Tua, uma das mais belas, ricas e bem preservadas paisagens de Portugal, parte da herança e identidade nacionais. Não podemos assistir indiferentes à destruição irreversível de um património de inestimável valor social, ecológico e económico. Por isso, decidimos agir através dos meios que a Lei nos faculta. Dez razões objetivas para suspender a construção da barragem Foz Tua:

1. É ilegal. O aproveitamento hídrico do Vale do Tua viola a Convenção para a Proteção do Património Mundial, Cultural e Natural (1972) que Portugal ratificou através do Decreto nº 49/79, de 6 de Junho.

2. Viola o direito constitucional ao ambiente. A barragem Foz do Tua acarreta restrições intoleráveis do direito de todos ao ambiente, tão fundamental quanto os direitos, liberdades e garantias individuais.

3. Desrespeita o estatuto conferido pela Unesco. Foz Tua constitui uma flagrante violação dos valores que deram origem à classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da Unesco.

4. Não cumpre os objetivos. Foz Tua faz parte do Programa Nacional de Barragens, que produziria no seu conjunto 0,5% da energia gasta em Portugal (3% da eletricidade), reduzindo apenas em 0,7% as importações de energia e em 0,7% as emissões de gases com efeito de estufa. Foz Tua contribuiria com uns míseros 0,1% da energia do País.

5. Não é necessária. As metas do Programa já foram ultrapassadas com os reforços de potência em curso: a curto prazo disporemos no total de 7020 MW hidroelétricos instalados (o Programa pretendia alcançar os 7000 MW), dos quais 2510 MW equipados com bombagem (o Programa previa chegar a 2000 MW). Será assim sem nenhuma barragem nova.

6. É cara. As novas barragens, se avançarem, custarão cerca de 15 000 milhões de euros, que os cidadãos vão pagar na fatura elétrica e nos impostos - uma média de 1500 euros por português. Com estas barragens, durante os 75 anos das concessões, as famílias e as empresas pagarão uma eletricidade pelo menos 8% mais cara.

7. Há alternativas melhores. Todos os objetivos de política energética podem ser cumpridos de forma muito mais eficaz e mais barata com opções alternativas, destacando-se três medidas: (i) investimentos em eficiência energética, com custo por kWh 10 (dez) vezes menor que Foz Tua; (ii) reforço de potência das barragens existentes, com custo por kWh 5 (cinco) vezes menor que Foz Tua; (iii) dentro de poucos anos, a energia fotovoltaica será competitiva com a rede.

8. É um atentado cultural. A albufeira de Foz Tua destruirá a centenária linha ferroviária do Tua, um vale com paisagens naturais e humanas de elevado valor patrimonial e turístico, para além de pôr em perigo a classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património da Humanidade.

9. É um atentado ambiental. Foz Tua destruirá irreversivelmente solos agrícolas e habitats ribeirinhos raros, porá em risco espécies ameaçadas e protegidas, criará riscos adicionais de erosão no litoral devido à retenção de areias, e provocará inevitavelmente a degradação da qualidade da água.

10. É um atentado económico e social. A barragem põe em causa a qualidade vitivinícola desta secção do Alto Douro, devido ao sério risco de alterações microclimáticas. Desaparece a possibilidade de rentabilizar activos turísticos de alto valor, como os desportos de águas brancas, a ferrovia de montanha e o eco-turismo. Criar um emprego permanente no turismo é 11 (onze) vezes mais barato que criar um emprego na barragem.

Há empreendimentos cuja construção se justifica, em nome do desenvolvimento sustentável do País. Outros, como a barragem de Foz Tua, empobrecem-nos a todos. Não podemos aceitar a destruição de um património ambiental único, sem qualquer ganho para o País e o bem público. É nossa responsabilidade garantir que as gerações futuras terão a oportunidade de desfrutar, como nós, o Vale do Tua.

Os signatários desta Declaração estão unidos numa vontade comum: SALVAR O TUA

Signatários da Declaração
Afonso Henriques Vilhena
Agostinho Pereira de Miranda
Alexandra Vaz
António Furtado dos Santos
Augusto Lopes Cardoso
Carla Amado Gomes
Elizabeth Fernandez
Fernando Fragoso Marques
Hernâni Rodrigues
Jan Dalhuisen
José António Campos de Carvalho
José Manuel Lebre de Freitas
Manuel Almeida Ribeiro
Manuel Magalhães e Silva
Maria da Conceição Botas
Pedro Cardigos
Pedro Raposo
Raul Mota Cerveira
Rita Matias
Vitor Miragaia

Como cidadão português, só posso agradecer a estes advogados, bem como a todos aqueles que, nos últimos anos, têm lutado incansavelmente para conseguir salvar o Vale do Tua. Esperemos que ainda se consiga salvar este património português único.
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20.10.13

A Linha do Tua, de Duarte Belo

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Duarte Belo, autor, entre outros trabalhos, do livro “Portugal - Luz e sombra - O país depois de Orlando Ribeiro” e do projeto “Portugal Património, acabou de lançar o livro “A Linha do Tua”, no qual reúne um grande número de fotografias tiradas em várias deslocações a esta linha ferroviária, entre 1996 e 2010, incluindo uma viagem a pé pelos sessenta quilómetros de linha entre a foz do Tua e Mirandela.

Sobre a mais impressionante das linhas ferroviárias portuguesas e o magnífico vale que ela percorre já se publicaram outros livros de fotografia e tem-se feito documentários e até cinema documental multipremiado. Falar da beleza de uma paisagem envolve sempre subjetividade, mas sobre a extraordinária beleza deste património que o país está prestes a perder existe uma invulgar consensualidade, entre os que tiveram a sorte de o conhecer.

Como se sabe, a construção de uma controversa barragem precisamente na zona mais impressionante do vale (o canhão do Tua, a parte mais selvagem do rio) irá destruir para sempre essa paisagem e o troço mais espetacular da linha ferroviária do Tua, a única via de comunicação que percorre o vale, e que nele se integra de uma forma perfeita.

Os portugueses têm muito pouco respeito pelo seu património. Isso não é apenas evidente no que diz respeito ao património edificado. A paisagem é pouco valorizada, e mesmo as paisagens que hoje estão classificadas como Monumento Nacional pelas autoridades portuguesas só o foram pelo facto de terem sido previamente inseridas pela UNESCO na lista de Património da Humanidade (exemplo: a Paisagem do Alto Douro Vinhateiro foi classificada pelo IGESPAR como Monumento Nacional em 2010, apenas porque em 2001 tinha sido classificada como Património da Humanidade pela UNESCO: art.º 15.º, n.º 7 da Lei n.º 107/2001). Quanto ao património ferroviário, noutros países do mundo há linhas férreas classificadas, relativamente às quais a Linha do Tua nada fica a dever.

Não que neste caso tivesse forçosamente de haver uma classificação. Centrar a questão na eventual conservação futura do Vale do Tua (e, já agora, da Linha do Tua) é, aliás, incorrer num erro em que caiu, por exemplo, Henrique Pereira dos Santos num artigo recente escrito para o Público (aqui). A questão da eventual preservação, para o futuro, da paisagem do Tua tal como ela existe hoje - e, designadamente, saber se ela é merecedora de uma proteção idêntica àquela que tem o Douro Vinhateiro - pode e deve ser discutida de uma forma séria; mas dela não depende a proteção deste património contra a destruição pela barragem projetada, como se no imediato apenas existissem duas opções, proteger o património ou destruí-lo, construindo-se a barragem. Basta a consideração de que entre a barragem e o património ímpar que ela vai destruir, deve prevalecer este e não aquela.

José Sócrates e Passos Coelho são os chefes de governo que vão ficar para a história como os coveiros deste património nacional.

Restam-nos as fotografias de Duarte Belo (e não só), para que não nos esqueçamos daquilo que estamos a destruir de forma irremediável e para que no futuro não venhamos a cometer os mesmos erros.
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P.S. Cuidado com as conclusões precipitadas baseadas no argumento dos empreendimentos que “trazem desenvolvimento económico” e que “criam emprego”: não é o caso desta barragem. Pelo contrário, de um país que depende economicamente do turismo esperar-se-ia uma outra atitude perante o seu património.
(A ler, sobre a polémica barragem do Tua:

17.10.13

Estação Nova de Coimbra VI

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Estação de Coimbra
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O edifício de passageiros da estação de Coimbra desenvolve-se em U (irregular, sendo mais curta a ala do lado do rio), num traçado típico dos edifícios de estações terminais, abraçando as linhas e o cais de passageiros. No caso desta estação existe, no entanto, a particularidade de haver uma linha férrea exterior, ladeando o edifício pelo lado do rio (mas partilhando uma das plataformas da estação), que faz a ligação entre a linha do Norte e o ramal da Lousã. Este ramal tinha o seu início nesta estação e atravessava depois o centro da cidade, pela av. Emídio Navarro, até retomar o seu perfil normal de linha férrea de balastro a partir da estação de Coimbra-Parque. A passagem do comboio da Lousã pelo centro da cidade causava constrangimentos ao trânsito automóvel, e Coimbra-Parque passou a ser a estação terminal de quase todos os comboios da Lousã (isolando, de facto, o ramal do resto da rede ferroviária). Até ao encerramento do ramal da Lousã (2010), os dois primeiros comboios do dia ainda faziam, todos os dias, a ligação entre esta estação e a estação de Coimbra-Parque, pela av. Emídio Navarro.
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Talvez nenhuma outra estação do país seja conhecida por tantos nomes como esta: “estação de Coimbra”, “estação central”, “estação de Coimbra-A” e “estação nova” (por oposição à “estação velha”, a estação de Coimbra-B), a que acresce ainda a sua designação inicial, “Coimbra-C” (de “cidade”).
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Projeto arquitetónico: José Cottinelli Telmo e Luís Alexandre da Cunha (projeto de 1923, com alterações em 1926 e em 1929)
Despacho de classificação da estação como Monumento de Interesse Público: Portaria n.º 611/2013, de 20 de Setembro
A estação no sítio do IGESPAR: aqui
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16.10.13

Estação Nova de Coimbra V

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Estação de Coimbra
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Antes da inauguração do Ramal de Coimbra em 1885, havia um serviço de diligências que asseguravam a ligação entre a cidade e a atual estação de Coimbra-B. Mas o ramal não serve apenas para o transbordo entre as duas estações conimbricenses: da estação do centro da cidade partem comboios diretos para vários pontos da região beirã e do país, como Porto, Aveiro, Guarda, Leiria, Figueira da Foz, Entroncamento, Caldas da Rainha e Lisboa. É uma estação com grande movimento de passageiros. Na década passada, o controverso projeto do “Metro do Mondego” previa a desativação do ramal da rede ferroviária nacional, e a linha chegou mesmo a ser encerrada ao tráfego ferroviário, a pretexto do início das obras do metro. Inúmeros protestos levaram à sua reabertura poucos meses depois. Mas o projeto do metro não foi abandonado definitivamente, permanecendo incerto o futuro do Ramal de Coimbra e, consequentemente, o destino desta estação projetada por Cottinelli Telmo.   
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15.10.13

Estação Nova de Coimbra IV

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Estação de Coimbra
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A fachada principal da estação é rematada, de cada um dos lados, por dois torreões de desenho circular, a partir dos quais se desenvolvem as alas laterais do edifício. No torreão, três janelões em arco de volta perfeita com colunas adossadas, e um candeeiro suspenso de um teto ornamentado.   
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14.10.13

Estação Nova de Coimbra III

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Estação de Coimbra
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No espaço compreendido entre a entrada da estação e o cais, ocupado por um grande vestíbulo e por dois torreões, abundam os elementos decorativos em estilo João V, como é o caso do escudo em gesso (na parte inferior da imagem, à direita) ou dos vãos. No teto do vestíbulo, todo em relevo, três grandes falsas claraboias com desenhos geométricos, com a função de iluminação desta sala de entrada da estação.    
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11.10.13

Estação Nova de Coimbra II

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Estação de Coimbra
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Cottinelli Telmo (que também projetou outras estações, como a de Sul e Sueste em Lisboa, a de Tomar e a de Azambuja) teve um papel importante na modernização da arquitetura ferroviária em Portugal, a partir dos anos 20 do século passado. Na fachada principal da estação de Coimbra predomina um estilo classicizante, que lhe confere um aspeto monumental - refletindo a importância da estação na rede ferroviária nacional -, mas com alguns elementos modernistas, característicos da Art Déco, como é o caso das quatro lanternas que encimam os pilares das portas de entrada. Sobre cada uma das três portas, uma cobertura em ferro e vidro, em consola, protege a entrada da estação. A fachada é coroada por um grande relógio, elemento presente em muitas estações ferroviárias, mas neste caso embutido num frontão.   
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10.10.13

Estação Nova de Coimbra

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Estação de Coimbra
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Não teve parto, nem vida fáceis a estação central de Coimbra, agora classificada pelo IGESPAR como Monumento de Interesse Público (depois de, em Junho, ter sido incluída pela UNESCO na zona-tampão da área da cidade classificada como Património da Humanidade). Remontam ao início do século XX (1903) os primeiros projetos de construção de uma estação nova no término do ramal que, desde 1885, ligava a Linha do Norte ao centro da cidade. Os vários projetos da CP contaram sempre com a oposição da Câmara de Coimbra, que se opunha não só à estação, como à existência do próprio ramal, por serem um entrave aos projetos de expansão urbanística da cidade (nomeadamente, a construção de uma grande avenida marginal). Data de 1923 o projeto da atual estação (que viria a ser alterado duas vezes), da autoria dos arquitetos Cottinelli Telmo e Luís Cunha. A obra foi iniciada em 1925 e concluída em 1931, período durante o qual a Câmara ainda tentou, em vão, que o projeto fosse abandonado. Mesmo depois de construída a estação, o seu futuro esteve várias vezes comprometido (em 1943, o ministro Duarte Pacheco planeou mesmo demoli-la; mas veio a morrer nesse ano), tendo o edifício chegado a ser qualificado como «um monstruoso aleijão na avenida mais pitoresca» da cidade. A obra de Cottinelli Telmo é, desde há três semanas, um edifício classificado e protegido.
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12.6.13

Mais um crime arquitetónico em Lisboa

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Está a ser demolido, em Lisboa, um prédio do arquiteto Cassiano Branco: o prédio de gaveto do lado esquerdo do postal ilustrado de cima já pertence à história (a avenida aprazível mostrada no postal também já não existe: hoje é uma pista de carros). No seu lugar deverá surgir mais um mamarracho, numa praça até aqui preservada (Praça João do Rio). É apenas mais uma demolição – insere-se numa extensíssima lista de atentados arquitetónicos cometidos em Lisboa nas últimas décadas, que parecem não ter fim. Os anos passam, os autarcas mudam, a paulatina destruição da memória de Lisboa continua. Irremediavelmente. O que seria de Paris se por lá se tivesse feito o mesmo…
 
Sobre esta demolição, ver aqui.
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9.6.13

Forte da Graça vai ser recuperado

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Razão de ordem:
Fortificações de Elvas, Património da Humanidade
Fortificações de Elvas, Património da Humanidade II


Boa notícia: o Estado, proprietário do Forte da Graça, que foi classificado Património da Humanidade pela UNESCO há um ano mas está a caminho da ruína, aceitou finalmente ceder esta fortaleza à Câmara Municipal de Elvas, por um período de 40 anos (renovável), mediante protocolo celebrado esta semana entre as duas entidades. O protocolo prevê a requalificação do forte pela autarquia elvense, com um custo estimado de 5 milhões de euros, em grande parte comparticipados por fundos comunitários, suportando o município de Elvas o restante (ver notícia aqui).

Esperemos que esta vontade da autarquia de recuperar património não se esfume após as eleições autárquicas de Outubro.
 
Fotografia: © 2013 Jorge F
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26.3.13

Fortificações de Elvas, Património da Humanidade II

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Foi há nove meses que o Forte de Nossa Senhora da Graça, em Elvas – tido como uma obra-prima da arquitetura militar –, foi integrado pela UNESCO na lista de Património da Humanidade. Desde então, o forte continuou ao abandono e sem qualquer tipo de vigilância. Mas com uma grande diferença: as suas portas estão agora escancaradas, tendo aumentado significativamente o risco de saque e de vandalismo, para o qual, de resto, a UNESCO tinha alertado aquando da decisão de classificação, recomendando medidas de salvaguarda urgentes.
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Segundo noticiou o jornal Sol, nos últimos meses aumentaram os atos de vandalismo e os furtos: blocos de granito e de mármore, portas, janelas, telhas, o ferro forjado das varandas (na Casa do Governador já só há ferro numa varanda), de tudo vai sendo levado aos poucos desta joia monumental classificada como Património da Humanidade.
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O forte é propriedade do Governo (Ministério da Defesa), tendo sido deixado ao abandono em 2006. Os responsáveis da autarquia de Elvas afirmaram, em Janeiro, que têm alertado o Governo para a vaga de furtos e de atos de vandalismo e de destruição ocorridos nos últimos meses, mas em vão. Segundo o Presidente da Câmara Municipal de Elvas, depois da classificação do forte pela UNESCO, a autarquia propôs ao Governo a sua requalificação, cujo custo seria suportado em parte por fundos comunitários e a restante parte pelo município de Elvas: o Governo não gastaria um cêntimo. Mas, segundo o autarca, não houve qualquer resposta.
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As imagens seguintes têm pouco mais de dois meses: desconhece-se o que ainda se mantém e o que entretanto já foi roubado ou vandalizado…
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© 2013 Jorge F
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18.11.12

Cava de Viriato

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Cava de Viriato
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A Cava de Viriato (Viseu) é um enorme espaço fortificado, de forma octogonal, com um perímetro de cerca de dois quilómetros (e uma área suficientemente grande para caber lá dentro a cidade medieval de Viseu) e cujas muralhas, rodeadas por um fosso, têm, na sua base, uma largura de cerca de 30 metros. Inicialmente tida como uma fortificação lusitana (daí o seu nome), foi depois atribuída ao período romano (séc. I ou II), fazendo dela a maior estrutura romana existente na Península Ibérica (e ainda é essa a datação mencionada na generalidade dos guias turísticos atuais). As investigações dos últimos anos apontam antes para a hipótese de uma cidade fortificada islâmica, do género de Samarra (Iraque). A Cava de Viriato permanece, no entanto, como um grande enigma, que só uma grande escavação arqueológica permitirá resolver.
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15.10.12

Ponte Internacional sobre o Sever (ramal de Cáceres)

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Ponte ferroviária internacional sobre o rio Sever.
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Cronologicamente, a ponte sobre o Sever, no ramal de Cáceres, foi a segunda das cinco fronteiras ferroviárias entre Portugal e Espanha. Por ela começaram a circular comboios em Outubro de 1879, e por ela passou, em Outubro de 1881, a viagem inaugural da (nova) ligação Lisboa-Madrid e, em Outubro de 1887, a viagem inaugural do Sud Express (ligação entre Lisboa, Madrid e Paris / Londres). O ramal de Cáceres encurtou de forma significativa a ligação entre Lisboa e Madrid (que antes era feita pela linha do Leste) e ainda hoje é a ligação ferroviária mais curta entre as duas capitais ibéricas. Durante 131 anos, os comboios entre Lisboa e Madrid circularam por aqui, entre eles o histórico Lusitânia Expresso. Em Outubro de 2011, o Estado decidiu desativar esta linha ferroviária, e o último comboio passou nesta ponte há dois meses. A centenária ponte metálica de 60 metros de comprimento fica agora a aguardar a ruína.
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